"Tudo vale a pena quando a alma não é pequena"





Fernando Pessoa

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Ciclos da vida

Sabem o que acho mais "engraçado" sobre a vida? É que ela sempre arranja uma forma ou uma maneira de chegar onde é suposto, mesmo que ás vezes onde ela nos leve não seja onde nós queríamos chegar, basta um pequeno "empurrão", a chamada "luta" para tudo mudar e sermos para lá encaminhados. 
A minha já deu tantas voltas, autênticos labirintos, muitos becos que eu achava sem saída que acabaram por dar uma volta de 180 graus. 
Isto não é um diário, muito longe disso, para quererem saber da minha vida já tenho pessoas que cheguem no meu circulo fora da internet, longe de mim dar-lhes o prazer de encontrar tudo detalhado numa página pessoal (e mesmo assim já divulgo demais, tal como 99% da população que possui facebook e instagram). 
Ainda assim, faculdade. 
A minha vida académica iniciou à praticamente 8 anos atrás, é, já passou quase uma década e dois cursos superiores. Enfermagem sempre foi um apontar de dedo e uma imposição dos meus pais, porque não havia muita mais escolha a fazer e a média não chegava (felizmente) para medicina. Entrei na esperança de lhe ganhar o gosto, sabem como as chicletes azuis de menta que no inicio são ásperas e depois ficam doces? Isso quase que aconteceu, mas por diversos motivos o sabor doce durou muito pouco tempo. Não é que não tivesse jeito ou que não me safasse naquilo, simplesmente não era o que estava destinada a fazer, não era ali que esperava ficar até à idade da reforma, faltava algo. Terminei para agradar os meus pais, mas não se esforcem por lhes mostrar isso, eles sabem. 
Voltar para o Superior não foi fácil, em nenhuma medida, mudar de cidade, amigos, caras conhecidas e convencer os meus pais (um deles vá) não foi muito fácil. 
Faz 3 anos que me mudei de malas e bagagens para Braga, decidida que iria ser só o primeiro ano e depois me mudava para o Porto ou de volta para Lisboa, mas fui ficando por estar mais perto dos meus pais, dos meus novos amigos e colegas de curso e também porque a Instituição que escolhi se verificou bem melhor do que qualquer outra onde já andei, em todo o aspecto, embora também ache que assim o deve ser, uma vez que se trata de uma Universidade privada. Já sei e imagino o que podem estar a pensar "os alunos da privada compram as notas", "na privada é mais fácil", "blábláblá", não me faz espécie, a quem pensa assim só tenho uma coisa a dizer "informem-se" mas adorava de facto que fosse assim, tinha a vida facilitada, o que não tive, nem tenho. 
Neste momento estou na recta final, parece mesmo que foi ontem que entrei no salão da Faculdade de Ciências Sociais (na altura ainda era, agora a de Filosofia e de CS pertencem a uma só: Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais), falei com duas açorianas e uma madeirense, as únicas a chegar 10 minutos antes da suposta recepção e prontamente descobri que nem estariam no meu curso, mas a amizade ficou ali travada e mais tarde desenvolvida. Naquele dia, 24 de Setembro de 2012, a sala principal da Faculdade de Ciências Sociais estava lotada de caloiros, e eu procurava a franco custo ver alguém que falasse de "CC" (Ciências da Comunicação) para entender quem iriam ser os meus colegas de curso, mas não ouvi nem vi ninguém. No mesmo dia começou a praxe e foi precisamente aí em que conheci a maioria, tudo assustado, sem fazer a mínima ideia ao que ia, todos com as testas pintadas com CC a percorrer a cidade de Braga, enquanto meia dúzia de traçados gritam bem alto "BICHO NÃO OLHA E NÃO RESPIRA", senti-me estúpida, principalmente porque já tinha passado por tudo isso e já tinha estado do lado dos traçados... mas novas Universidades indicam provas antigas ou praxe nova.  A praxe não durou muito tempo, chateei-me depressa, pelos motivos que quem lá estava sabe.
As amizades que levo desta jornada e o conhecimento que adquiri valeram a pena todo o esforço que ficou para trás, a quem tenho muito que agradecer aos meus pais, amigos e Babu que sempre me aturaram, em todas as horas, até naquelas em que a vontade deles seria de não dizerem mais nada.
Avizinham-se prazos de entrega, e já sinto o tremor na barriguinha de começar tudo de novo, principalmente a parte de Universidade nova, ambiente novo! Mas primeiro que venham a nota de estágio e os resultados das inscrições ao Mestrado e Pós. Já faltou mais. 
CC um dia, CC até morrer!!





quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

It's been a while..

Já à algum tempo que não escrevo aqui, confesso, sinto uma certa saudade de quando o fazia com mais regularidade, mas ultimamente o tempo não tem sido muito. Entrámos em 2015 há precisamente 28 dias (parece que foi ontem e já passou quase um mês), as promessas de ano Novo até agora tem sido cumpridas, algumas com mais reticências que outras, claro.. 
O semestre está quase a terminar, faltam apenas algumas exames e trabalhos, está quase a começar o último (espero) semestre na faculdade, mas não sei se isso me aflige ou acalma, estou naquela fase que não sei no que isto vai dar daqui para a frente...veremos. 
Há dois anos atrás, estava feliz, apaixonada, a ficar completamente vidrada em alguém.. No ano passado por esta altura estava destroçada.. finais acontecem. Costuma-se dizer que todos os inícios tem um fim e todos os finais tiveram o seu início e não podemos julgar um pelo outro. O final não pode matar o início e o início não pode iludir o final, se é que me faço entender. A mágoa foi embora, ficaram as lembranças, as memórias e os pensamentos alegres e que bom que é sentir isso assim! Hoje sinto-me feliz, cada vez mais entrelaçada, sinto que estou no caminho certo e espero de facto estar. Vá, mais uns metros e estamos no final da partida e no inicio de uma nova corrida :) 














A tua pancada é muito parecida com a minha. Babu. :3

sábado, 6 de dezembro de 2014

No meio das entrelinhas.

Definir-me é limitar-me, ou pelo menos é o que a palavra indica, ainda assim.. o maior desafio é definir-me.. considero-me uma pessoa complexa (como tantas outras), mas vou deixar a linha correr e ver no que dá.
Quem sou eu? O meu nome já todos o sabem, pelo menos o primeiro e o do meio.. sou Alemã, original da mítica cidade de Munique, mas a cidade onde mora o meu coração é Colónia. Cidades de rivalidade e beleza bem assente. Uma contradição por si só. Atravessei nos caminhos de Portugal à precisamente 10 anos, num dia solarento de Outubro de forma definitiva, já cá tinha estado. País pequeno à beira mar plantado que tem muito mais a mostrar do que lá fora se imagina, apaixonei-me aqui, fiz amigos incríveis, apanhei das melhores ondas, ri, chorei, saltei, nos melhores anos da minha vida. Fiz escolhas erradas, já me magoaram e acabei magoando também, mas também já tomei as decisões certas. O meu avô deixou-me um mandamento que planeio usá-lo sempre e para sempre: "Não desistir de nada até que deixe de ser possível.", não é cliché, até podia ser, mas não é. Tirei enfermagem, no entanto as coisas apesar da motivação não estavam muito bem encaminhadas e antes que ficasse presa num emprego que não gosto, voltei a estudar. Pode dar errado? Pode, mas "não desistir até deixar de ser possível", vale uma chance né?.

Sou uma pessoa de 8 ou 80.. ou amo, ou odeio.. meio termo cansa, nunca gostei de fingir que algo me agrada quando não é verdade, não passo fretes, aguento o que tenho que aguentar, mas não vou fingir que gosto de alguém só porque sim. Pancadinhas nas costas e facas afiadas nunca fizeram muito o meu estilo, se determinada pessoa me irrita eu não vou fingir que gosto, não funciona assim comigo. 
Futebol. Para alguns é um desporto, para outros um fanatismo, para mim se lhe associar-mos o SLB é uma paixão (com um pouco de fanatismo sim, mas sem exagerar, cegueira não faz bem parte do reportório), quem me conhece sabe o quanto sou intensa nesse tópico, faz parte do meu ser. Há coisas que não se substituem, como as idas ao estádio, as amizades que se fazem no estádio, até mesmo os dissabores que já se passaram, tudo faz parte, tudo isto é futebol. 
Livros. Aglomerados de folhas com letras grandes, pequenas, adormentadas ou simples, grandes títulos e grandes descrições ou apenas fotos que valem mais que mil palavras. Para algumas pessoas são bons para decorar e ganhar pó, para mim são bons para gastar uma tarde em que me quero refugiar do mundo, ou num dia em que preciso de inspiração. Sempre respeitei os livros, doutores de conhecimentos sem fim, medicinais em certo ponto, fazem-nos sonhar e aprender de uma forma que mais nada no mundo consegue. Na minha casa, qualquer canto é espaço para um livro e são dos temas mais variados possíveis, desde os de medicina até aos de aventuras e romances, passando pelos de culinária. Livros. Aglomerados de saber.. Medicina para os sentimentos.
Séries, fotos e filmes. A maioria é baseada em livros, logo é como se dessem uma cara ao que leio, livros em movimento! Cinema é uma grande paixão, tal como o fotojornalismo e as fotos antigas, é uma maneira avançada de contas histórias, é dar movimento ao papel, à ideia, ao criativo! Fotografia é uma paixão seja de que lado for da objectiva, gosto de ambos os lados.  
Tatuagens, piercings. "A sociedade nananana", Quero lá saber, eu cumpro 99% das regras a que a sociedade obriga, essa acho uma estupidez cumprir. Faço, tenho, cultivo porque gosto e porque quero, isso não faz de mim menos humana, menos pessoa ou menos capaz de desempenhar seja lá que função for. Preconceito é estupidez. Adoro body arte, blame me for that :) tenho 3 tatuagens e 12 piercings. Fazem parte da minha história.
Maquilhagem, roupa. Sou mulher, o que por si só já cultiva (na maior parte das vezes) um sentido apurado neste tipo de coisas, mas para além disso, sempre gostei de me cuidar, de me vestir e de me maquilhar para sair. Não é por me mostrar mais, mas sim porque é como me sinto bem. As mulheres da minha família são praticamente todas assim ahahah vai ver e é genético :p 
Cozinhar. Por acaso desde que moro sozinha e se tornou parte do meu dia a dia que cada vez gosto mais de passar tempo entre panelas e tachos xD
Natação. Na secundária fazia competição e em Cascais tem uma piscina onde passava a vida, tudo era razão para nadar um bocado, alivia o corpo e a mente. 

Música. Hardcore. Hardstyle. Rock. tem um cantinho reservado na minha vida, cada música transmite um estado de espírito diferente e serve para um problema ou inspiração diferente. Estudo com música, danço (óbvio ahah), vibro, penso, leio, reflicto, musica é um bem necessário. Nunca saio de casa sem três coisas: telemóvel, chaves e..iPod.. porque a música é parte do meu dia-a-dia. Os festivais são as melhores coisinhas desta vida, das melhores mesmo, só vivendo é que se vê, incrível a quantidade de pessoas e culturas diferentes que se vê e conhece num só dia. 

Basicamente é isto, tenho muitas paixões que não falei aqui, porque se for escrever tudo perde a novidade né? E há coisas que uma pessoa só conhece quando conhece as reacções da pessoa. Não sou melhor que ninguém, pelo menos não me considero superior em nada, embora haja mentes vazias em que claramente essa perspectiva se sobressaí, mas isso é uma característica humana, todos pensamos assim, para bem ou para o mal. Tenho os meus traços de personalidade, alguns dos quais juro que desejava não ter, como ser boazinha demais em muitas situações e as pessoas se aproveitarem disso.. ou tentar sempre ser o mais simpática possível e depois as pessoas terem a ideia que podem fazer comigo o que querem, e nessa altura tenho que ser azeda para mostrar que não é bem assim. Sou como sou, tenho os meus traços, a minha maneira de ser e de agir. Os anos passam, alguns mudam, outros ficam, mas continuo eu. 

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Apenas um desabafo.

Os últimos dias não têm sido fáceis, parece que há sempre algo à espreita pronto para me deitar abaixo. Muitas vezes transpareço a imagem de mulher de armas, mas nem sempre é assim, por vezes sou apenas uma menina que sofre e chora amarrada à almofada como tantas outras. 
Contei a duas pessoas o que se passou comigo, qual a tal razão que tanto me tem deixado assim. Levei com julgamentos da parte de ambas, como se eu fosse ingénua e completamente tonta para cair nesse erro novamente. Não concordo. Não concordo de todo. Fico a pensar se realmente entenderam a essência do "problema" que me deixou assim, ou se realmente a sociedade anda a retratar os que sofrem de "ah, já sabias que ia ser assim, ingénua", "devias criar mais defesas" (mais defesas? eu? mais defesas? daqui a nada fico em aço.). 
Há uns tempos atrás o meu pai foi burlado pelo sistema de um banco (não vou referir qual) que teve uma fuga de informações e alguém se aproveitou dessa mesma situação. O meu pai é das pessoas mais inteligentes que eu conheço, homem dos 7 ofícios, culto, desconfiado e pensa muitas vezes antes de fazer qualquer tipo de negócio, ou seja é extremamente terra a terra. Quando se verificou que realmente tinha sido vítima de burla, vi realmente a mesma reacção por parte de amigos dele e familiares.. como se ele tivesse "caído" por querer, ou seja, a vítima é "burra" e quem fez o crime era "inteligente" que trolou o "coitadinho" e ainda levou algum dinheiro. Pergunto-me, que caminho é este para onde vamos? Percebam a essência do problema antes do julgamento, não fica bem, não é bom de ouvir e alguém está a sofrer.






sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Catrapum.

Acendo o cigarro.. levo-o aos lábios, sinto um ardor por dentro, já não pegava em nenhum há meses. Sei bem que não está certo, mas é a mim que mata. Sou eu que faço as minhas decisões. 
Há mais coisas que matam e não tenho qualquer decisão sobre elas.

As vossas discussões são uma delas, matam-me. Imaginam quantas vezes apertei a cara contra a almofada em lágrimas por vos ouvir discutir? Sim, eu sei, parece coisa de pita de 15 anos.. mas ainda hoje doí. Ignoro para não dar a importância que realmente tem para mim. Na realidade, custa-me estar longe de "casa" e quando tenho esse pedaço de "lar" sei que tudo está a desmoronar à minha volta. Parem com isso. Sério.


Chega um altura em que é necessário parar e ver se realmente vale a pena. Sim, ver se vale a pena faz parte. 




quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Síndrome de imortalidade

Um momento, um segundo, tudo pára, tudo muda. Tudo vai e não tem volta. 
As pessoas vivem como se fossem viver para sempre,como que nada tivesse um fim. Logicamente estão erradas desde o inicio. O medo da morte é necessário: só assim é que damos mergulhos de cabeça e enfrentamos os nossos medos, só assim nos motivamos a ir trabalhar e construir uma família porque "owww o relógio não pára!". O truque é esquecer por breves momentos que somos feitos de carne e viver um dia de cada vez, dando o nosso máximo em cada desafio. "Porquê breves momentos?" Fácil, quando as pessoas se esquecem que são seres mortais, o orgulho, a mentira, a falsidade reinam. 
Lembras-te daquela discussão que te fez  perder um amigo importante e nunca mais se falaram? Aquele conflito familiar? Aquela confusão? Não vives para sempre, resolve isso, dá o braço a torcer, esquece o ódio. Não! Não te estou a dizer para correres tudo a perdão e abraçares quem te apunhalou pelas costas, mas deixa a raiva, esquece a vingança [karma is a bitch, ele resolve], perdoa os importantes e ignora os despresíveis, mas não te dês a trabalhos.  A vida é curta.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Consciência Natural.

O mundo é uma máquina que precisa de uma afinação e mudança constante, é um aglomerado de equações e problemas à qual vamos dando a nossa resposta ou agravando ainda mais as questões que nos são colocadas, porque nem sempre acertamos. 
A Humanidade vai acabar por se destruir a ela própria, graças à pouca e mínima gestão dos recursos naturais que temos disponíveis, temos a mania de nos achar superiores ás outras raças mas ainda vamos acabar por ser os culpados da extinção da vida na terra. A menos claro que acordemos deste sonho encantado de que tudo que a Terra nos dá é eterno e interminável, a menos claro que passemos a ter uma atitude mais responsável para com o planeta que chama-mos casa! Pequenos gestos fazem uma diferença enorme, somos 7 mil milhões, se todos adoptar-mos uma atitude consciente o mundo tem mais chance de se garantir sustentável por mais anos e atingir mais gerações futuras. 
Como sabemos que não vamos viver para sempre, gastámos como se o futuro não dependesse dos nossos actos, pois bem, dependem e muito. 
Atitudes conscientes é o necessário.